quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Não há "fumo" sem fogo

Ontem mesmo, em declarações à comunicação social, um autarca afirmou que decorrem contactos entre a Associação de Municípios de São Miguel e o Governo dos Açores relativas à incineração de resíduos nesta ilha, eufemisticamente designada como valorização energética.
Apenas lembro, por agora, que a construção de verdadeiras soluções sustentáveis ambientalmente deve abarcar, sem medos, ou esqueletos em armários fechados, um amplo processo de participação pública, para mais num tema como o que está em causa. Por favor, a quem de direito, não se esqueçam deste aspecto, imprecindível à obtenção de uma verdadeira legitimidade.
Duas décadas após...

Passam hoje 20 anos da libertação de Nelson Mandela, personalidade admirável que, não obstante as décadas de aprisionamento a que foi sujeito, liderou, desde a primeira hora no exterior da cela, a transição para uma nova África do Sul, assente na efectiva igualdade entre raças. Só é pena que os seus sucessores não mostrem o mesmo calibre...
A recente edição do livro INVICTUS, da autoria do jornalista John Carlin (Editorial Presença, 2010) evidencia bem este caminho, aliás de forma bem mais feliz que o filme homónimo a que deu origem. Fica o convite para a leitura!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Não é suficiente!

O prometido fôlego renovador do Presidente Barack Obama vai-se esfumando com o tempo e, em matéria de ambiente, parece cavar-se um fosso entre meras palavras e as medidas concretas adoptadas pelos E.U.A.. Após uma dúbia condução do processo negocial da COP-15, em Copenhaga, que muitos confundiram com a emergência de um eixo de poder que colocava a União Europeia na periferia, o corte das emissões de gases com efeito de estufa anunciado por aquele país, da ordem de 17% até 2020, para mais tomando o ano de 2005 como referência, mostra que, num tempo em que não pode haver tergiversações, podemos ficar longe do objectivo final.
Conclui-se, ainda, que a posição linear e sustentada assumida pela União Europeia quanto à resposta às alterações climáticas mostra um empenho mais profundo. É um pouco como um corredor de maratona, que apesar de não correr tão depressa como um atleta de 100 metros, tem de avançar muito mais depressa do que aquele que apenas pratica marcha.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Cépticos

Ainda a propósito de alterações climáticas: o pseudo-escândalo da intersepção de mensagens de correio electrónico de cientistas do Climate Research Unit (Universidade de East Anglia, Reino Unido) veio dar novo ânimo aos cépticos...
O resultado evidente é a demonstração de que aos cientistas incumbe explicar os seus resultados, e em particular as incertezas associadas aos mesmos, antes que alguém dê a estas últimas um realce a todos os títulos exagerado e, de alguma forma, possa confundir a opinião pública. Para mais, quando as decisões políticas são tomadas com janelas de observação muitas vezes estreitas, esta questão é cada vez mais crucial.
Novas da frente climática

O jornal "Público" refere-se, na sua edição de hoje (1-Fev-2010), às estimativas da emissão de gases de efeito de estufa em Portugal relativamente ao tecto imposto pelo Protocolo de Quioto. Não obstante a diversidade de razões que possam ser invocadas, quer ao nível das políticas públicas levadas a cabo, quer dos impactes de outros factores, como a crise económica, verifica-se uma tendência para a aproximação ao objectivo proposto. Com efeito, em 2005 o desvio era de +21%, em 2006 de +14%, em 2007 de +9% e em 2008 de +6%.
De acordo com os dados disponíveis no sítio http://www.cumprirquioto.pt, no período 2008-2012 o desvio será de +5% (ou seja mais 17,62 Mt CO2e do que o tecto de Quioto), o que, apesar de implicar a aquisição de direitos de emissão no exterior, não configura a situação mais grave antecipada.
Seria muito positivo perceber a posição em que se encontra a Região Autónoma dos Açores relativamente a estes números...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Estereótipos científicos

A famosa revista “Nature” (nº 463, de 7 de Janeiro de 2010) publicou um curioso artigo intitulado “from geek to chic”. Todos conhecemos o estereótipo do cientista maluco, de cabelos desgrenhados, olhos encovados, pele de tom pálido - nos laboratórios não se fica bronzeado – e até roupas trocadas. Do cinema à literatura não são poucas as obras em que os cientistas têm algumas características similares a estas, quando não todas, a que se soma uma acentuada dificuldade de interagir com os próximos.
Contudo, e esse era o sentido do artigo da “Nature”, se alguns destes estereótipos devem ser abandonados, porque irreais, os cientistas não deixam de ser atletas de alta competição no seu género, com capacidades de conceptualização, análise e resolução de problemas que devem ser aproveitadas a todos os níveis na sociedade. A ciência deve, assim, quebrar o espartilho que a rodeia, e não só contribuir para o desenvolvimento, o que pela sua natureza já faz, como passar a não esquecer de o mostrar. No fundo, como diz o ditado, à mulher de César não basta ser séria, é preciso que o pareça também.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Ainda a propósito do custo da água...

Vem a "talhe de foice" a propósito da última mensagem aqui publicada: o jornal "Água e Ambiente", na edição do corrente mês de Janeiro, revela que o INAG (Instituto da Água) quantifica em 17,58 milhões de Euros o montante da Taxa de Recursos Hídricos cobrada pelas cinco Administrações de Região Hidrográfica do continente no 2º semestre de 2008. Esta Taxa passou a ser cobrada a partir de 1 de Julho de 2008, e perspectiva um novo paradigma de cobrança das utilizações de recursos hídricos, em que os custos ambientais devem ser contemplados na estrutura de preços.
Quando nos Açores for formalmente criada a respectiva Administração da Região Hidrográfica, e levada a cabo a análise do regime económico e financeiros dos recursos hídricos aplicável à Região, antevê-se mais uma "guerra"?